O velho novo David Letterman

 

Já maratonou todas as séries e filmes que gostaria de ver e até aqueles que você não dava muita pelota na Netflix? Pois bem, o que sai da Cartola desta vez pode vir bem a calhar se for o seu caso, ou especialmente se você gosta de programa de entrevistas, mas que não se entusiasma muito com os profissionais que lideram esse tipo de formato no momento.

Eu me sentir órfão quando veio a falecer a parte mortal do inesquecível Antônio Abujamra, que comandava o fantástico Provocações na TV Cultura, e com a confirmação da aposentadoria do brilhante e bem humorado David Letterman.

Porém, felizmente, decorrido algum tempo veio a boa surpresa de que Letterman anunciava o seu retorno como apresentador/entrevistador em um novo formato bancado pela Netflix.

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David marcou época na TV americana apresentando por 33 anos a fio o Late Show with David Letterman, no canal norte-americano CBS, e era considerado discípulo direto de um dos mestres e pioneiros do formato talk show, Johnny Carson, que veio a ser reproduzido em inúmeros canais não só nos EUA como no mundo afora (no Brasil, o caso mais bem sucedido foi o Programa do Jô).

O humorista de 71 anos, nascido em Indianópolis, se tornou, rapidamente, em um dos apresentadores favoritos não só do público, mas como da classe artística hollywoodiana devido a rapidez de raciocínio para desfilar seu humor inteligente e afiado, o modo cativante de contar suas anedotas, da habilidade de deixar os convidados bem a vontade (embora acredita-se que em alguns casos não teve muito trabalho de alcançar o feito. Ficou famosa a estratégia de deixar a disposição dos entrevistados, antes de entrarem ao vivo no estúdio, uma vasta variedade de drinks de teor alcoólico. Os mais ansiosos ou imprudentes renderam momentos marcantes para o público) e por saber dá espaço para abordar assuntos mais sérios sempre com observações pertinentes.

No entanto, o decorrer de três décadas é tempo suficiente para o nascer e amadurecer de uma nova geração, com outros tipos de preferências, referências, conhecimentos, ainda que discutíveis, e novos apresentadores com uma linguagem mais palatável, ao menos é o que os índices de audiência sugerem (linguagem que, na minha humilde opinião, se resume a entrevistas rasas, convulsas, com piadinhas infames a cada 15 segundos), a este público começaram a se destacar apresentando resultados semelhantes ou superiores.

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Por isso, Letterman percebeu que era hora de parar enquanto ainda estava por cima, ou fizeram isso por ele, marcando o fim de uma era na TV norte-americana.

Mas se engana quem pensa que essa nova fase na Netflix, intitulada My Next Guest Needs No Introduction with David Letterman, ou O próximo convidado dispensa apresentação com David Letterman, se trata de mero repeteco do que o publicou habitou-se a vê-lo fazer na televisão.

A começar pelo local das entrevistas.

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Em vez dos estúdios com show de luzes e bandas escandalosas ao vivo, os palcos das gravações são anfiteatros de universidades (muda-se a localização de um episódio para o outro conforme o entrevistado). O que é, ou penso ser, um atrativo para o público convidado a assistir o bate-papo in loco é que o anúncio de quem será a pessoa a conceder a entrevista só é feito segundos antes da entrada em cena do mesmo, pelo próprio Letterman, arrancando explosões de aplausos e comentários genuinamente entusiásticos.

Deve ser legal vivenciar essa atmosfera de bom suspense e ser satisfatoriamente surpreendido. Considerando a influência e o prestígio de Letterman qualquer tipo de entrevistado é possível. Imagine acordar de manhã sem saber que em poucas horas estará de frente a um dos ex-presidentes mais populares da história?

Claro, as principais qualidades do experiente apresentador continuam se fazendo notar, como sua espirituosidade, inteligência, ponderações, contudo esse novo formato privilegia entrevistas com muito mais conteúdo e sem a correria dos horários apertados, repletos de comerciais, dos talks shows.

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Cada episódio, de aproximadamente uma hora de duração, é dedicado exclusivamente ao entrevistado da vez. E claramente percebe-se a intenção e a liberdade de Letterman, depois de uma longa carreira bem sucedida e precisando se sujeitar a algumas imposições do meio televisivo, de tratar de assuntos realmente relevantes ao convidar personagens famosos com histórias de vida e engajamentos sociais desconhecidos por boa parte do público ou ignorados pela imprensa.

Assuntos como racismo, xenofobia, imigração, guerras, direitos civis, infidelidade (inclusive o experiente entrevistador aproveita a ocasião que esse assunto é abordado, em um dos episódios, para comentar, ainda que não tão explicitamente, sobre os famosos casos de infidelidade conjugal tornados públicos, em 2009, pelo próprio comediante enquanto ainda apresentava seu antigo programa na CBS, após sofrer tentativa de extorsão por um anônimo que alegava ter em mãos imagens comprometedoras com as amantes, e como isso marcou a sua vida negativamente, mas que acabou o ajudando a promover transformações positivas sobre o modo de ser e agir) são alguns dos temas abordados.

Outro aspecto interessante do formato adotado pelo comediante é que a conversa é interrompida, por vezes, para mostrar gravações externas com o convidado ou com pessoas importantes ligadas ao personagem. Nessas gravações, determinados temas são aprofundados e aspectos de caráter mais intimista da pessoa em questão são expostos.

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O resultado é a apresentação de um panorama robusto sobre um tipo ou assunto muito difícil de obter nos formatos televisivos, o que confere flexibilidade de temas, porém interligados, muito agradáveis de acompanhar e conhecer.

Os episódios são mensais e até o momento os entrevistados foram: Barack Obama, George Clooney, Malala Yousafzai e Jay-Z.

Está previsto para este mês o programa com a sempre simpática e competente Tina Fey.

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Que venham muito mais episódios!

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Até a próxima cartolitos e me digam depois o que acharam.

Fui!

 

 

 

 

 

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