As manias dos grandes escritores

O que sai da Cartola essa semana é um breve relato de hábitos um tanto inusitados dos profissionais consagrados da escrita na hora de colocar toda a pujança criativa no papel.

Se há algo que não tem ciência exata é o processo de escrita.

É provável que muitos escritores ganhassem mais dinheiro se conseguissem desenvolver um manual infalível para que até o mais desprovido de imaginação conseguisse escrever um bom trabalho literário do que na produção de seus trabalhos diários.

Muitos querem se tornar um novo Paulo Coelho, uma J.K Rowling, um Tolkien e não é nem preciso dizer que pouquíssimos alcançam o pico do mundo. Talvez tenha mais gente escrevendo no Brasil do que lendo, o que é um tremendo paradoxo, digno do país que “não é para iniciantes”. Basta conferir o quanto se produz em plataformas de autopublicação, as pilhas de originais e arquivos enviados para editoras e comparar com os números de vendas de livros.

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Saiba de algumas das manias dos grandes escritores antes ou durante o processo de escrita.

Mas, claro, é apenas uma análise empírica, é apenas uma impressão, mas que não causaria surpresa nenhuma ao cartolito se um dia algum estudo confirmar essa suspeita.

Não existe um modelo a ser seguido quando o assunto é escrita, pois cada um tem o seu método, um modo de trabalho que o faz mais produtivo e que difere da de outros escritores. Cabe ao artista identificar esse método a partir de observações que faz sobre si mesmo, a partir das experiências que realiza durante o exercício de autoconhecimento.

Ao avaliar esses modelos, esses métodos dos grandes escritores, nota-se a variedade de estilos e de manias um tanto… exóticas.

Segue abaixo pequenos relatos sobre os hábitos peculiares de grandes nomes das letras.

Confira!

Pablo Neruda

O poeta chileno, autor de obras como O Carteiro e o Poeta e Cem Sonetos de Amor, não tinha problemas quanto a ambientes e sons, conseguia escrever em qualquer espelunca de bêbados de subúrbio, solitariamente em um quarto de hotel, durante as viagens em trens espalhafatosos, em poltronas desconfortáveis de avião.

No entanto, a sua única e inesperada necessidade para conseguir escrever, sem a qual travava, não desenvolvia uma linhazinha sequer, era usar tinta verde. Escrever todo o material que queria em tinta verde.

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Autor de O Carteiro e o poeta, Pablo Neruda. Crédito: Portal Vermelho.

relatos que o poeta deixou um poema inacabado quando o seu estoque de tinta verde esgotou e quando foi retomá-lo, depois de finalmente ter chegado a nova provisão de tinta, já que o episódio ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola, largou mão de terminar o que tinha começado. Tinha perdido o ritmo, o embalo, o fio da meada.

O poema jamais foi publicado.

Alexandre Dumas

O autor de Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo era mais “punk” em suas manias do que o Neruda. Pra começar ele tinha dois vícios, um antes e outro durante o processo de escrita. A mais light era o hábito de acordar cedo e se acomodar debaixo do Arco do Triunfo, em Paris, para botar pra dentro qualquer alimento que tivesse maçã, era viciadíssimo na fruta e comia de baciada.

Mas até aí ok, né? Maçã é bom mesmo.

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O francês Alexandre Dumas.

Mas outro hábito de seu Dumas era entregar todas as suas roupas para um criado. Isso mesmo, ficar peladão em casa. E o motivo? Estimular a conclusão da obra que estivesse escrevendo, pois se quisesse sair de casa, teria que ser como viera ao mundo.

Agatha Christie

Uma das autoras mais lidas do mundo com diversos trabalhos adaptados para outras mídias, especialmente o cinema. O mais recente a ganhar uma versão na telona foi o Assassinato no Expresso Oriente.

Em sua autobiografia de 1979, a célebre escritora, “rainha do crime” revelou que não usava escrivaninha na hora de construir os seus mistérios, não escrevia na sala, tampouco no quarto.

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Capa da autobiografia póstuma de Agatha Christie.

“E onde essa mulher escrevia diacho? No banheiro?”.

Exatamente, no banheiro.

Não, não usava o trono. Ela gostava de escrever na banheira. Segundo o seu relato:

“O lavatório com tampo de mármore era um ótimo lugar para escrever”.

Truman Capote

O norte-americano Truman Capote (A Sangue Frio) era uma espécie de Monk das letras, pois era cheio de manias.

Pra começar, de sexta-feira ele não podia iniciar ou terminar uma obra, tinha que ser trampo que pegasse pela metade e que ficasse mais ou menos aí.

Outra mania era ficar somando mentalmente números a torto e a direito, compulsivamente.

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O escritor Truman Capote. Crédito: Uol Entretenimento.

Ele gostava de um cigarrinho, mas evitava a todo custo colocar três bitucas de cigarro no mesmo cinzeiro. Agora, qual que era o lance com isso é melhor nem tentar entender.

E ele ainda tinha mais uma mania que envolvia bitucas de cigarro. Se fosse visitar alguém, enchia os bolsos com as suas bitucas para não colocar no cinzeiro.

Mas o que se refere diretamente a escrita era o hábito de fazer duas versões manuscritas de suas obras – a lápis. Somente depois desse trabalhinho era que datilografava o material.

Além disso, era impossível para ele escrever qualquer coisa sem antes certificar-se que o local onde começaria a escrever estava totalmente livre de qualquer espécie de inseto.

 Cristóvão Tezza

O brasileiro Cristóvão Tezza, autor de O Filho Eterno, é o que pode ser chamado de procrastinador quando o assunto é começar a escrever um livro.

Ele não enfrenta dificuldades quando chega na metade de um, por exemplo (curioso, normalmente os escritores estão mais empolgados no começo do trabalho e vivem uma verdadeira batalha para manter o entusiasmo, a dedicação quando chegam no miolo do livro), mas diante da tela em branco ele é capaz de primeiro arrumar o escritório inteiro, arrumar no nível de micro detalhes, de caçar um clipe perdido na gaveta antes de encarar o vazio da tela.

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O brasileiro Cristóvão Tezza. Crédito: Escotilha.

Drops

O autor norte-americano Jonathan Franzen se trancava em seu escritório, abaixava as persianas, mantinhas as luzes apagadas e, sentado em frente ao computador, colocava tampões de ouvidos e vendava os olhos durante a escrita do livro Relações.

Samuel Beckett (Esperando Godot) necessitava estar diante de uma parede branca para iniciar os seus trabalhos. “De uma brancura total, sem manchas, rachaduras, nenhuma sombra”.

James Joyce chegava a consumir mais de cinquenta xícaras de café por dia.

O que Lewis Carroll, Virgínia Wolf, Johann Wolfang Von Goethe e Glória Perez têm em comum? Escrever de pé.

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Sugestão de leitura

Você que curte um bom livro de mistério e suspense, indico a obra “Angústia na Cidade do Caos: crônicas de uma era indecente”, lançado pela Editora Multifoco.

Um rapaz misterioso achado desacordado e sem memória, próximo de um cemitério clandestino de uma comunidade assolada pelo sangrento conflito de facções criminosas, inicia jornada para descobrir os enigmas envoltos de seu passado. Porém, precisará encontrar respostas para questões ainda mais complicadas conforme percebe-se protagonista de eventos sinistros e inconcebíveis para o senso comum de realidade.

Saiba mais a respeito aqui.

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Até a próxima.

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