Uma cidade caótica que abriga a encarnação da angústia. Lançamento!

Galera, o que sai da Cartola Cultural essa semana é uma novidade das letras nacionais, produzida pelo próprio cartolito, que foi lançada há pouco pela editora carioca Multifoco.

A obra intitula-se Angústia na Cidade do Caos: crônicas de uma era indecente.

Sobre o livro

Se trocar “cidade” por “país”, o título parece bem sugestivo sobre o período conturbado que vivemos, não? Mas apesar da cidade fictícia ser localizada no Brasil, no estado de São Paulo e a época retratada ser relativamente contemporânea (relativo porque os eventos narrados se passam em 2012), o roteiro não versa sobre o caos político, ao menos diretamente, já que é possível traçar algumas referências no subtexto.

Angústia na cidade do caos
Logo da editora carioca Multifoco.

O enredo concentra-se em um mistério.

Um mistério e um conflito.

O evento que gera intriga, estranhamento, interrogações é a descoberta, por parte de um coveiro de um cemitério clandestino, de um rapaz, um jovem rapaz, estirado, inconsciente em um matagal próximo a uma comunidade dominada por facções criminosas, Coronel Rodrigues. Ninguém na região jamais vira o rosto desse rapaz, ninguém sabe de onde vem, o que o trouxe até ali, tampouco sobre o seu passado.  Mas o problema é que ele também não sabe como foi parar ali, qual é a sua história e nem o seu próprio nome. Está completamente desmemoriado.

A sua jornada passa ser a busca para recuperar minimamente as lembranças que perdera, a colher pistas do que ocorreu consigo, descobrir sua real identidade. Esse trabalho já seria o suficiente para ocupar a mente e o dia de qualquer cidadão normal, no entanto o rapaz vai descobrindo durante a sua busca que não se trata de um cidadão normal…

Eventos inexplicáveis e assustadores passam a fazer parte de sua rotina e das pessoas que o cercam, levantando ainda mais dúvidas, gerando conflitos e mortes.

O leitor atento possivelmente perceberá ecos de um cenário político que marcou o país em anos recentes, e que ainda reverbera nos dias atuais, replicado no conflito mais belicoso e sórdido do volume. Apesar da aparente discrepância de estilos, os polos opostos estão, na verdade, distanciados somente pela qualidade da indumentária que os caracterizam.

L.L.

Como pano de fundo da jornada do misterioso rapaz, encontra-se a já mencionada Coronel Rodrigues, favela situada no extremo leste da Cidade do Caos, que há vários anos abriga um conflito violentíssimo entre duas facções comandadas por membros de uma mesma família: os irmãos Batistas.

O mais novo, Jefferson Batista, vulgo “JB”, foi o primeiro a usar o espírito empreendedor da família para erguer uma facção criminosa por meio dos recursos obtidos pela produção e venda de drogas ilícitas. Acabou embarcando no seu projeto ambicioso de poder vários moradores da favela e o restante de seus parentes próximos, a mãe e seu irmão mais velho, Francisco, conhecido como “Zumbi”.

A visão de mundo e os métodos de JB foram ficando cada vez mais claros com o decorrer do tempo e promovendo desgaste com o consanguíneo mais velho, que discordava frontalmente de seus pontos de vista. O racha ocorreu após ocorrência traumatizante a uma das filhas de Coronel Rodrigues que passou desde esse dia a encarnar a vingança na favela.

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Capa oficial de Angústia na Cidade do Caos: crônicas de uma era indecente. Volume lançado, em 2018, pela editora Multifoco.

O racha resultou na “primeira grande guerra” que devastou a comunidade, despertou atenção da mídia, da cidade, do país, obtendo repercussão internacional. Francisco conseguiu usurpar metade do território que era controlado pelo irmão mais novo e estabelecer uma trégua marcada por constantes momentos de tensão e conflitos de menor escala (mas sempre com potencial de desencadearem um novo embate de proporções épicas), uma trégua temporária, com data de validade.

Naturalmente, em algum momento, esses dois núcleos, mistério e conflito, irão convergir. O resultado? Só conferindo…

Um dos aspectos que julgo interessante do presente texto é a situação vivida pelo protagonista que concentra grande parte do mistério que envolve densamente esse relato. Acorda em um lugar que não conhece, rodeado por pessoas que também não conhece e tampouco fazem noção de quem seja. Pior: ele mesmo ignora a própria identidade, o mesmo quanto a sua origem, quem ou o quê o colocou ali e com qual propósito. Passa, então, a dedicar o seu tempo atrás dessas respostas e constatando que o ambiente em que está inserido abriga outras questões tão inquietantes quanto, despertando fascínio, receio e horror.  Acaso, não estaríamos todos nós, humanos, em situação idêntica?

L.L.

Segue as sinopses oficiais:

Jamais esqueceria o riacho de sangue que se formava.”

E a Angústia veio a cair na Cidade do Caos. Revestida de carne humana e trajes civis. A carne, caucasiana. Os trajes, masculinos. O semblante? Banal.

Estirada no capinal costeiro a um cemitério clandestino, é descoberta pelo coveiro de uma comunidade miserável assolada pelo poder paralelo. Ferida, mas não ensanguentada. Confusa, mas sã. Preocupada, mas determinada…

Sem recursos, sem identidade, sem passado.

Acolhida na casa do jardim de cadáveres, inicia busca para desvendar os mistérios que envolvem o seu passado e a causa de se encontrar em ambiente tão árido – e perverso. Conforme testemunha fenômenos perturbadores ao interagir com os habitantes da favela, descobre-se em uma jornada que excede os limites do consenso de realidade, que desafiará a sua aptidão de permanecer imune aos silvos ardilosos da loucura…

Contracapa Angústia na Cidade do Caos (1)
Contracapa de Angústia na Cidade do Caos, de Lennon Lima. Confira a sinopse do impresso.

A proposta

Como expresso anteriormente, trata-se de uma narrativa pautada pelo mistério, suspense, embora não se furte de se valer de humor, drama, ação e uma pitadinha de horror.

O tom da narrativa tem proposta “pés no chão”, de fazer o leitor se sentir imerso em uma realidade reconhecível, mas que paulatinamente introduz elementos fantásticos com a intenção de gerar mais questionamentos, intriga, especulações.

A capa

O projeto gráfico e a capa ficaram a cargo de Tullio Andrade.

Creio que consegue transmitir as ideias chaves contidas no título da obra. O caos representado pelos diferentes tons de preto e cinza, cores tão fortemente associadas as nababescas selvas de pedra que são as principais metrópoles do Brasil e do mundo, o aspecto sujo, como se fosse um muro pichado, outra característica das grandes cidades.

O vermelho encarnado e gotejante do título, que também marca levemente o pedaço de concreto áspero, austero, sufocante, naturalmente simbolizando o que de mais óbvio uma era indecente pode gerar: violência, de todos os tipos.

Por fim, a imagem lânguida do rapaz, que vive a angústia de acordar sem lembranças de seu passado em uma terra de desconhecidos, desconhecidos prestes a lutarem pela vida em meio a uma guerra sangrenta, que vive atrás de respostas que nunca chegam, que vive carregando angústias suas e de muitos outros…

O que estão comentando

Já começaram a sair algumas resenhas de blogs especializados. Veja alguns comentários:

“(…) Conduz o leitor a uma realidade que esconde mistérios e segredos, onde seus personagens são guiados pela ambição de suas paixões”.

“Devorei o livro em menos de dois dias”.

“A escrita de Lennon Lima é um tipo de droga viciante”.

“Querem uma trama com ação e muitos mistérios? Esse livro com certeza tem tudo isso. Recomendo muito a leitura, o autor está de parabéns e sua criação só me deixou com vontade de ler mais”.

“Lennon Lima escreveu com maestria uma composição da brasilidade. Os personagens representam cada um de nós, com sua intensidade, índole dúbia e resiliência. Não existem heróis e vilões. Cada um dos personagens se adaptam conforme a necessidade”.

Acordei com Vontade de Ler

“Confesso que não sou interessado nessa linha de ficção, porém ao começar a ler o livro – que é narrado em terceira pessoa e tem um contexto ficcional mas ao mesmo tempo real a qualquer cidade brasileira – faz o leitor viajar nas histórias dos personagens, que bem marcantes, e até em alguns momentos o autor conversa com o leitor fazendo a leitura ficar mais leve e descontraída. Fiquei doido para acabar logo e saber o final”.

“Em um certo momento, parece que Lennon está falando com o seu leitor e isso eu achei muito sensacional, umas das melhores partes, porque eu sempre me pego analisando aquela parte da leitura e ter uma página falando comigo, fez eu me sentir menos paranóica com as minhas elucubrações”.

A maioria das resenhas você pode encontrar diretamente no Skoob. Aproveite para adicionar o livro entre sua lista de desejados!

Onde se vende angústia?

Se você ficou interessado em acompanhar a jornada do misterioso rapaz e do destino de Coronel Rodrigues, é possível obter o volume diretamente no site da editora. Caso não encontre na livraria mais próxima de sua casa, solicite ao estabelecimento que entre em contato com a Multifoco pra adquirir exemplares.

Por hoje é isso, galera.

Até a próxima!

 

 

 

 

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