RESENHA: O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo?

Povo do Brasil e do mundo! Mexendo na Cartola Cultural essa semana o que saiu foi uma HQ britânica que fez grande sucesso, há poucos anos, e amealhou vários prêmios da indústria dos quadrinhos.

No Brasil, também foi bem recebida e teve uma edição especial com artes e extras publicados com exclusividade aqui,na terra que antigamente, lá em tempos remotos, jogava-se futebol de primeira.

Estou falando da HQ de Dave West e Marleen Lowe, “O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo?”.

Sobre a HQ

Tudo começa como se estivéssemos prestes a iniciar uma leitura típica de super-herói da era de ouro. Um terrorista malvadão ameaça explodir uma bomba no centro da cidade, no caso, Londres,se uma vultuosa quantia não for depositada até determinado horário.

Capa da edição da Gal Editora no Brasil.

Normalmente a população nem fica sabendo desse tipo de ocorrência enquanto o poder público não encontra uma solução. Mas quando uma autoridade do governo anuncia o impasse e recomenda aos cidadãos a não saírem nas ruas e ficar dentro de prédios, o cheiro de merda é sentido por todos quase que instantaneamente. O efeito é justamente o contrário:o pânico corre solto, o engarrafamento se avoluma, as pessoas se engalfinham em busca de uma salvação incerta.

O herói dessa trama é um cidadão comum. “Ok, como o Peter Parker, o Matt Murdock etc”. Nada disso. O Peter é um cabeçudo em ciências, inventou uma das colas mais resistentes no mundo… em casa. Murdock é um advogado bem sucedido e aparentemente não tem medo… Bobby Doyle não tem fantasia ou bugigangas, nunca foi um aluno acima da média e provavelmente não tem um emprego de se causar inveja, nem uma namorada de arrancar suspiros. É mais um cara na fila do pão. Ocorre que tem uma habilidade extraordinária que não sabe explicar sua origem.

“É tipo uma versão pobre do Flash?”.

Também não.

A história é tão bem elaborada que essa conclusão feita pelas pessoas e jornais é completamente errônea, mas compreensível e nem por isso a estória perde em termos fantásticos.

Uma bomba está prestes a explodir no centro de Londres.

Doyle fica sabendo do drama que a cidade onde vive está passando e sente o mesmo odor de porcaria anunciada detectado por todos. Não tem jeito. Terá que intervir. Mais uma vez.

O problema é que não sabe como irá salvar todas as pessoas que estão tentando fugir do raio de alcance da explosão iminente. Percebe, pensando sobre o assunto e analisando os fatos, que terá quefazer o maior dos sacrifícios…

O que achei de positivo

A arte não é de encher os olhos, não que o trabalho da Marleen Lowe seja ruim, é competente, mas sem dúvida o que se destaca nessa HQ é a força do roteiro.

 É brilhante.

É uma estória com uma premissa simples, mas tão bem elaborada, tão bem desenvolvida que a faz uma simplicidade encantadora, daquelas que tudo parece lógico, orgânico, envolvente. É enxuta e certeira, um meio termo perfeito entre o complexo e o óbvio.

Mais do que a solução pensada, o que faz de Bobby Doyle um herói é a nobreza de seu ato.

Acho que a melhor ilustração para descrever “O que o homem mais rápido do mundo?” transmite aos leitores, ao menos a mim transmitiu, é a que envolve o cinema. Talvez não exista época melhor para fazer tal comparação, já que os super-heróis predominam nas telonas já faz algum tempo.

Imagine você que saiu mais um filme do Batman, do Super-Homem, do Homem-Aranha ou do Homem de Ferro, campeões de popularidade, cujo nomes são o suficiente para arrastar multidões, e com toneladas de efeitos especiais, toneladas de marketing investido. Depois de algumas semanas, ao conferir os números da bilheteria,toma um susto. Um filme que nunca ouviu falar está figurando entre os primeiros, chegando a desbancar até mesmo uma dessas marcas multimilionárias que estreou há pouco.

Pesquisando mais a respeito, descobre que é um filme de baixo orçamento, com divulgação bem modesta, de distribuidora pequena, com atores desconhecidos, mas muito bem avaliado pela crítica.

Ao conferir o filme, percebe que está diante de uma raridade, de um roteiro brilhante que consegue driblar as dificuldades financeiras ou nem sequer necessitar de grandes investimentos para construir uma estória cativante tal a força da ideia que sustenta o roteiro. Um longa feito com dedicação por pessoas que realmente gostam e acreditam no que fazem. Bem dirigido e contracenado. Um filme que revela, novamente, o óbvio:não é o dinheiro, são as ideias, estúpidos, que fazem a diferença.

O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo? segue o estilo de estória que especula sobre uma realidade impossível, mas a encaixando harmonicamente ao mundo que nos é comum, pensando em todos ou vários detalhes que a torna verossímil, ainda que navegue pelo fantástico. É estruturada em silogismos. Um homem é capaz de parar o tempo? Quais seriam as consequências imediatas? Os principais entraves e benefícios? Como seria a repercussão de seus atos?

A edição brasileira foi lançada com extras exclusivos!

A solução de Bobby Doyle não é mais inteligente, o melhor caminho e confesso que fiquei prestes a perder um pouco do encanto do trabalho ao chegar nessa conclusão, mas parando para pensar sobre a estória: como dito, ele não é o cara mais brilhante do mundo e sua real força não está na inteligência ou em sua incrível habilidade, mas na sua nobreza, no seu interior. O que define um herói, na minha concepção, é aquilo que ele está disposto a sacrificar para fazer o bem. E Bobby Doyle, a despeito de suas ambições simplórias, de seu intelecto comum, de sua timidez, definitivamente é um herói.

O design de capa é fabuloso. Simula a primeira página de um jornal que transmite impacto,urgência e desperta a curiosidade de saber mais a respeito da estória. Os textos das notícias te jogam diretamente no universo fictício desenvolvido e apresenta praticamente todos os elementos da história sem revelar o principal, uma espécie de  de trailer da obra. Uma excelente sacada.

A edição da Gal Editora, aliás, está de parabéns. Traz textos introdutórios excelentes, explicando todo o contexto de publicação da obra, não só na Inglaterra como aqui no Brasil, e traz artes e uma estória extra exclusiva, na época de lançamento, para a nossa nação verde e amarela. Excelente!

O que achei de negativo

 Eu poderia dizer que a estória deixa um gosto de quero mais, que é bem curta, mas isso não é um defeito se teve começo e meio e fim coesos, satisfatórios, na verdade deixar essa sensação no leitor é uma virtude. O fato é que não encontrei nada digno de nota para me queixar. É uma HQ para figurar na prateleira de qualquer amante dos quadrinhos.

Conclusão

O Que aconteceu ao homem mais rápido do mundo? é uma joia da arte sequencial. Um enredo muito bem elaborado, com excelentes ideias de design e de recursos artísticos, uma edição caprichada e um final tocante.

Recomendadíssimo!

Sugestão de leitura

Você que curte um bom livro de mistério e suspense, indico a obra “Angústia na Cidade do Caos: crônicas de uma era indecente”, lançado pela Editora Multifoco.

Um rapaz misterioso achado desacordado e sem memória, próximo de um cemitério clandestino de uma comunidade assolada pelo sangrento conflito de facções criminosas, inicia jornada para descobrir os enigmas envoltos de seu passado. Porém, precisará encontrar respostas para questões ainda mais complicadas conforme percebe-se protagonista de eventos sinistros e inconcebíveis para o senso comum de realidade.

Saiba mais a respeito aqui.

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