RESENHA: O Homem de Giz

Caros leitores do Cartola Cultural,

Um dos últimos mimos outorgados pela generosa cartola foi o livro de suspense, que você já deve ter cruzado com a sua capa em algum canto, “O Homem de Giz”, de C. J. Tudor, publicado pela editora Intrínseca.

Esse livro ganhou um significado especial para mim que mal poderia imaginar quando o comprei.

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Capa da belíssima edição da Intrínseca

Foi o último livro que adquiri em condições normais, em um shopping na capital paulista, num fim de semana com bastantes pessoas circulando por todos os cantos da cidade mastodonte.

Um mundo sem pandemia, mas já com coronavírus, no entanto ainda não havia sinais claros de que a realidade horrível que nos acometeu – e talvez ainda acometa quando estiver lendo este post – tinha condições reais de vir a se concretizar.

Será que esse último fragmento de normalidade perdida se mostrou um belo canto de cisne?

Bem…

Mais ou menos.

Certamente discorrei mais a respeito, mostrarei o que gostei e o que não gostei desse trabalho de estreia de C. J. Tudor e o meu veredito, mas antes acho que talvez seja interessante contar quais foram os critérios que influenciaram minha decisão de compra daquele já saudoso sábado de fevereiro.

Caso prefira pular direto para a análise, basta seguir até o tópico “sobre o livro”.

Nota: Se parecer professoral, desconsidere, por favor. É apenas opinião, não sou dono da verdade. Fique à vontade para discordar e colocar o seu ponto.

A sedução da capa e da sinopse

Fazia um tempo que não comprava livro de suspense contemporâneo gringo. De repente bateu aquela vontade de ler algo do gênero e saber como está a produção atual lá fora.

Nada melhor do que um shopping para encontrar várias opções do gênero, já que esse mercado domina as prateleiras das grandes livrarias.

De fato me deparei com muitas opções, internacionais e nacionais, para minha boa surpresa, e realmente não sabia o que escolher.

Fui de peito aberto, deixar a “obra me de descobrir”. Gastei um bom tempo lendo sinopses, conferindo preços e não demorou muito para fitar O Homem de Giz.

Eu já tinha visto várias vezes a capa em banners publicitários e Igs literários diversos. A capa realmente é belíssima, mas fiquei com um pé atrás por causa da sinopse.

Ela dá muita pouca informação sobre a história, apenas colocar perguntas intrigantes. E eu não vou dizer que isso é ruim, porque afinal, deu certo, comprei o livro, mas fiquei matutando: “E se não for o que estiver pensando? E se for apenas uma capa bonita? E se eu me der muito mal?”.

Por outro lado: “Mas é algo ousado, as perguntas são de fato intrigantes, é um jeito diferente de tentar atrair atenção do leitor. Por exemplo, de todas as sinopses que li, foi à única que adotou essa estratégia. Só por apresentar algo diferente merece um crédito”.

Enfim, como exposto acima, deu certo, decidir comprar, mas não só por causa disso.

Nome abreviado, não por acaso

A abreviação do nome da autora também foi outro elemento que acabou chamando a minha atenção e influenciando.

Não fazia muito tempo que eu tinha lido que um dos motivos para escritoras de romance policial, suspense, terror etc, decidirem abreviar seus nomes, na verdade suas editoras, é para ocultar do leitor, no primeiro instante, o fato de serem mulheres e não escritores.

Tal estratégia foi pensada ao se diagnosticar uma resistência por parte do público leitor, verificado nas vendas, com livros do gênero escritos por mulheres por simplesmente serem mulheres.

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🍇 Olá, leitores! Que tal a resenha de um livro de suspense/mistério? Amei a vibe dark da foto. • Título: O Homem de Giz. Autora: C.J. Tudor. @cjtudorauthor Editora: @intrinseca Páginas: 272. • Sinopse: Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte do dia andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seus códigos secretos. Mas um desenho misterioso leva as crianças até um corpo desmembrado em um bosque. Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que aconteceu trinta anos atrás. • Resenha: Anos 80, bicicletas, crianças envolvidas em um mistério… Temos aqui uma obra para agradar os fãs de Stephen King (It) e Stranger Things. Tem até uma menina ruiva! Tudor apresenta uma história de mistério e suspense com duas linhas temporais: 1986 e 2016. Tem gente que não curte muito esse recurso, mas eu adoro! Acho que acrescentou mais emoção (apesar de ter que admitir que 1986 é bem mais legal por causa das crianças). A escrita é boa e a história é bem construída, mas se arrasta em alguns pontos. Não é um livro tão intenso e de acontecimentos rápidos; ele é mais calmo. Ainda assim, minha curiosidade foi despertada (e meu medo também. Sou muito medrosa). Definitivamente é um bom livro para quem gosta do gênero, só não é o melhor. Eu esperava mais por causa da Hype, mas posso dizer que fiquei "satisfeita". Agora uma pequena observação: Eddie tem uma mania estranha que me deixou meio enjoada no final 🤢. Por fim, preciso enaltecer essa edição maravilhosa da @intrinseca! Dá gosto de ver esse livrinho na minha prateleira. Nota: 4/5 ⭐ #bookstagram #igliterario #picbook #resenha #resenhaliteraria #ohomemdegiz #cjtudor #intrinseca #misterio #suspense #livros #books #euamolivros #amoler

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Resistência derivada da ideia, no mínimo inadequada, de que tais temas não são próprios do público feminino, mas, sim, do masculino. Esse papo de gente machista ou que reproduz machismo sem perceber.

Então a abreviação dos nomes é uma forma de contornar essa bobagem, mas que prejudica a venda das obras das escritoras.

Sou péssimo para guardar datas e fontes, guardo mais a informação, mas acredito que a matéria que li falava sobre o mercado norte-americano. Mas como o Brasil adora se espelhar, no melhor e no pior, na sociedade do Capitão América, é bem provável que essa lógica vigore por aqui também.

Ou vigorava?

Fiquei impressionado pela quantidade de livros, desses gêneros que abarcam O Homem de Giz, escrito por mulheres. Muitos sem abreviação de nome.

Sem dúvida é o momento delas na literatura, na produção literária, nas vendas (muitas capas exaltando a venda de milhares ou até milhões de exemplares).

Eu já sabia que o público feminino dominava no quesito leitura – e isso não é de hoje – e que mais mulheres estavam escrevendo e ocupando as prateleiras. Contudo, não tinha a noção do quanto. Foi um choque de realidade.

Percebi que estou bem fora de contexto, desatualizado com o cenário atual e foi mais um motivo para decidir pela leitura de O Homem de Giz.

Sem dúvida o talento, a sensibilidade, o cotidiano das mulheres da atualidade, muitas com jornada dupla ou tripla, alternando trabalho, casa e estudos, e ainda precisando lutar por igualdade de condições na sociedade que vivem, são elementos, ingredientes que têm muito a acrescentar e revigorar não só o gênero que está inserido O Homem de Giz, mas outros que no passado não tiveram espaço para publicar.

Toda essa história e especulações me vieram à mente porque não tinha sacado que se tratava de uma escritora, por causa da abreviação, e com isso ter me surpreendido ao ver sua foto nas páginas finais do livro (até porque queria arrancar mais informações da obra para me decidir).

Contribuiu também o fato de não ter lido nada da escritora anteriormente (ela já publicou outros trabalhos).

Muito bem. Bati o martelo. Comprei O Homem de Giz.

Li e abaixo conto o que achei dele.

Sobre o livro

A história narra o cotidiano de um pequeno grupo de crianças em uma cidade norte-americana nos anos 1980. Após um desastre ocorrido no parque de diversões local, começam a surgir figuras estranhas nas ruas e paredes do pacato município, ilustrações simplórias de homens a base de giz escolar.

O grupo de meninos – e menina – decide seguir o caminho que essas ilustrações estão apontando e acabam descobrindo um crime terrível.

Trinta anos após esse evento traumático que repercutiu na vida de todas as testemunhas e até no cotidiano da cidade, Eddie, o protagonista da história, o narrador que nos traz a perspectiva dos acontecimentos, e seus amigos remanescentes da infância, voltam a se deparar com o “homem de giz” em bilhetes anônimos.

A certeza de que será necessário encarar os fantasmas do passado que envolvem esse tenebroso caso ocorre quando um dos velhos amigos de infância, que decidira seguir a vida em outra cidade, reaparece morto.

O que gostei em O Homem de Giz

Ambientação

A estrutura dessa história necessita, é imperativo, de uma escrita habilidosa, porque ela não é linear. Alterna passado, 1989, com presente, 2016 – 30 anos de diferença entre cada capítulo.

Naturalmente, essa mudança de ambiente tem que ficar clara durante a escrita para que o leitor não se perca ou se confunda, e Tudor consegue fazer isso maravilhosamente bem, no meu entender.

Em poucas frases, parágrafos, consegue inserir o leitor nessas atmosferas, apesar de ambientadas na mesma cidade, completamente diferentes, afinal, muita coisa muda com o decorrer de décadas.

Em poucas páginas já consegui me familiarizar com o clima pacato de cidade pequena dos anos 1980, com os principais pontos da cidade, com o senso de comunidade desses lugares onde todos parecem se conhecer e saber de tudo da vida dos outros (e o livro mostra bem que tal impressão está bem longe de ser verdade).

Com o decorrer do livro, de alguma forma consegui me sentir parte daquela comunidade ao ser inteirado de todos os pequenos dramas, vícios, fraquezas, virtudes das principais vozes da história e do município.

O mesmo ocorreu nos capítulos do presente, 2016, pois como se trata da mesma cidade, apenas separada pelo tempo, essa sensação de intimidade, de habituação, familiaridade se manteve e na verdade apenas se aprofundou.

No entanto, é notável que a escrita consiga passar a mudança de atmosfera, a passagem no tempo, não só nos personagens, ao demonstrar suas alterações físicas, mas também no ambiente, evidenciado os efeitos do tempo e as mudanças advindas pelos novos recursos tecnológicos.

Talvez as palavras acima possam deixar implícito que a narrativa se demore demais contando pequenos detalhes. Mas não é o caso. Isso que achei interessante: a narrativa é bem objetiva.

Como falei, Tudor tem a habilidade, invejável, de ambientar o leitor em locais e épocas diferentes com poucas sentenças.

Acho que, principalmente nos capítulos de 2016, isso se deve aos diálogos, mas isso merece um capítulo a parte.

Mesmo com uma boa quantidade de personagens e a necessidade de ambientação em cada período de tempo, a narrativa consegue ser e se manter fluída. Destaco ainda que tal fluidez apesar da quantidade de elementos não prejudicam na construção dos principais personagens. Eles têm personalidade e razoável profundidade.

Stranger Things B?

Vi muita gente questionando que O Homem de Giz é mais uma tentativa de emular Stranger Things e não tão bem sucedida.

Sinceramente, não vi isso.

O grupo de moleques, anos 1980, cidade pequena, está presente, ok, verdade, mas a proposta é diferente.

Eu fiquei boa parte do tempo na dúvida sobre os rumos que a história tomaria, se iria embarcar para o extraordinário ou se manter com os pés no chão.

Achei divertido brincar com as possibilidades, o deixar de “porta aberta”, e até para manter esse clima de mistério o livro, em sua maior parte, não “sai do armário”, portanto, sua proposta está mais focada no suspense, no mistério.

Não que isso inexista na série da Netflix, contudo, seus elementos fantásticos e o horror são bem mais presentes.

Claro que a editora, notando as similaridades de roteiro e o sucesso da fórmula com a extraordinária repercussão do seriado do canal de streaming, usa o seu marketing para tentar atrair o público da série e surfar na onda.

Mas entendo que em nenhum momento o livro tenta ser uma espécie de Stranger Things B. Ele tem identidade, tem voz própria.

Horror

O Homem de Giz tem cenas marcantes, ainda que não tão numerosas.

As poucas cenas de ação e de mutilação são muito bem descritas. Consegui visualizar bem a ação ocorrendo e suas consequências nas vítimas. Acho que o melhor exemplo é a cena do desastre no parque logo no começo do livro que surpreende pelo detalhismo e pelo seu desfecho.

A escalada da tensão é muito bem trabalhada e você sabe que algo vai acontecer, mas mesmo já esperando te surpreende, ao menos ocorreu comigo.

Porque até então a narrativa estava “bem comportada”, isto é, sem escatologia, palavrões, agressões verbais, apenas construindo a atmosfera e apresentando os personagens em ritmo agradável, acolhedor. Eu diria de um modo a conquistar a simpatia do leitor para convencê-lo a seguir adiante.

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During his conversation with John Grisham, last week, Stephen King has said being working on a novel about an assassin (« the assassin » may be its title, working title, or just a description) and having a medium length novel, a suspense novel with a touch of supernatural, that may be released directly in paperback in 2021! ———————————– [FR] Durant sa conversation avec John Grisham, Stephen King a dévoilé écrire 2 livres : – un roman autour d'un assasin – un court roman, un polar, qui sortirai en poche en 2021! Envie d'en savoir plus? => clubstephenking.fr ———————————– #stephenking #stephenkingbooks #stephenkingcollection #stephenkingcollector #thriller #thrillerbooks #thrillerbook #roman #romanpolicier #polar

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De repente, uma cena catástrofe.

Por apresentar algo tão díspar do apresentado até esse trecho, acaba chocando, porém mais devido a esse contexto do que por ser algo muito fora da curva ou agressivo, na minha opinião.

Mas não importa. É meritoso, julgo, por surpreende e ousar, dá aquela dose de cafeína providencial no leitor para deixá-lo definitivamente desperto.

O horror é bem representado não só na violência, mas no construir de circunstâncias, situações vividas pelos personagens que mesmo na falta de sangue conseguem deixar marcas emocionais profundas.

Em vários momentos da narrativa, especialmente nessa construção dos momentos tensos, na atmosfera sinistra (aqueles últimos minutos antes do temporal, sabe?), eu reconheci muito da escrita do Stephen King, do seu estilo (por coincidência, estava alternando a leitura com seu livro de contos, Tripulação de Esqueletos. Fiz um post no meu insta a respeito).

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Quando se fala em Stephen King e conto o que logo se pensa é em "O Nevoeiro". É um puta conto mesmo. Tão bom, tão bom, tão bom que ele deixa outros contos excelentes em segundo plano. É o que notei lendo "Tripulação de esqueletos", coletânea de contos do mestre do horror. São vários contos bons, além do nevoeiro, mas pra não me estender muito destaco dois: A excursão. Narra a origem de um futuro, pra variar problemático, apresenta a solução encontrada, seus benefícios, seus riscos, personagens para nos importar e um final horripilante. É mais curto que o nevoeiro ainda por cima. Perfeito. A balsa. Uma premissa simples: jovens inconsequentes sobre uma balsa, em um lago, próxima a uma pequena e estranha mancha de óleo na superfície, que parece se aproximar a cada minuto. O resultado? Tensão do início ao fim. #stephenking #literatura #instabook #instaliterario #blogliterario #suspense #horror #amoler #amolivros #livros

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Não à toa o marketing do livro tenta direcionar o livro para os fãs de King e a própria Tudor se declara fã do mestre do horror. Acho essa estratégia mais apropriada do que a que tenta atrair os fãs da Eleven. (Haverá de ter alguma língua maldosa que comente sobre outras similaridades entre esses autores, como os finais duvidosos que dão aos seus livros. Particularmente, acho uma injustiça com King e muito cedo para Tudor receber esse carimbo).

Diálogos

Achei os diálogos muito bem escritos, dinâmicos, passam bem a personalidade de cada personagem, se adéquam ao modo de falar que estamos acostumados.

Usa de coloquialismo, gírias, o que acho ótimo, porque detesto personagens falando como se tivessem lendo um livro. Isso sempre quebra a imersão, pois é inverossímil, claro, dependendo do contexto da história.

Destaco a personagem Chloe que pra mim é a grande responsável pela rápida ambientação no mundo de 2016. Mais jovem que o protagonista, seus diálogos esbanjam jovialidade, coloquialismo, sarcasmo e gírias mais contemporâneas. Forma uma boa interação com a versão envelhecida de Eddie, o protagonista.

Uma pena que essa personagem perca muito de tamanho com o decorrer da história.

Edição

A edição da Intrínseca está estupenda.

A capa é um show a parte, simulando um quadro negro onde o título e a ilustração de um boneco de homem parece que foram mesmo feitos a giz. Passando os dedos sobre a ilustração e as letras, é perceptível a mudança de textura, aumentando ainda mais essa sensação.

Ainda é possível notar algumas manchas brancas que são típicas quando o giz de lousa é borrado ao se passar algo por cima.

A lateral da lombada também reproduz essas características com diversos homenzinhos de giz preenchendo o espaço, o mesmo na contracapa com as perguntas que fazem a vez de sinopse.

Belíssimo.

Os capítulos são divididos por páginas negras. Estas exibem o ano em que cada capítulo se passa com tinta branca. As extremidades de todas as páginas são pretas e estas são levemente amareladas. A diagramação proporciona uma leitura bem agradável.

Uma produção impecável por parte da Intrínseca.

O que não gostei de O Homem de Giz

Poderia ser mais curto

O livro não é longo, tem 270 páginas, mas a questão não é a quantidade de páginas: é o roteiro mesmo.

As últimas 30, 40 páginas, mesmo com a fluidez da narrativa, as descrições breves e certeiras, ficaram arrastadas pra mim.

Fiquei com a sensação que Tudor resolveu encher linguiça dando informações, que no final do livro, vir a descobrir, não tão relevantes.

A quebra de linearidade da narrativa mune o leitor de informações sobre os personagens e a história, dá mais peças do quebra cabeça ao passo que fornece detalhes sobre os personagens de modo a aprofundá-los, fazê-los mais íntimos ao leitor.  Também, enxergo, um recurso para uma experiência mais imersiva no universo retratado.

Bacana, isso é um ponto positivo, porque foi bem feito.

Contudo, chega em determinada altura do livro que esse propósito de nos apresentar, ou dissecar, os personagens e as peças do quebra cabeça já atingiu o seu objetivo e mesmo assim a dinâmica na qual se apoia para jorrar o fluxo de informações não cessa. Essas informações, em tal circunstância, se mostram irrelevantes ou repetitivas.

Eu fiquei me perguntando: “Por que ela não encerra a história? Porque ela não revela o criminoso? O que está esperando? Se essas informações, esses capítulos não se justificarem no final será frustrante”.

Bem… foi mesmo.

Uns 3, 4 capítulos a menos não fariam mal nenhum.

Final morno

O gosto que fiquei no final de leitura foi de… hmmm… faltou tempero.

Fez sentido o final? Fez, a causa dos assassinatos foi bem explicada, teve um confronto final, teve consequências, mas achei previsível.

É aquele desfecho, aquela revelação que você descarta durante a leitura porque acha óbvia demais e como é sempre um desafio apresentar uma inovação em histórias desse tipo, a sua expectativa é que irá surgir uma solução melhor.

Queria ter sido mais surpreendido.

O embate entre as forças antagônicas sofre de um mal que detesto em romances policiais, em Agatha Christie, por exemplo.

Um parágrafo de 5 ou 7 linhas resolve tudo. Sempre achei isso anticlimático. Você fica centenas de páginas na expectativa de se chegar a um clímax e em um parágrafo de 5 ou 7 linhas tudo se resolve. Ocorre uma ação, reação, consequência, fim da ameaça.

Acho muito brusco e até simplório.

Porque não uma página inteira de conflito, ação franca e aberta? Duas, três páginas?

Parece que há uma aversão a cenas de ação mais longas no meio literário. Eu não defendo um livro inteiro só de ação ou que se utilize desse recurso à exaustão. Nem curto, já vi muito escritor fazendo isso, fica cansativo, mas acho que no clímax de uma história dessas, cabe.

O que infelizmente não houve (no meu modo de ver, sempre importante frisar).

Final sem todas as respostas

Mas pra mim o problema maior foi o fato de respostas importantes não terem sido dadas.

Eu entendo a intenção por trás dessa decisão (fica vago porque não quero revelar trechos importantes do enredo, mas se ler o livro, acredito que se lembrará do meu ponto. Isto, claro, se concordar).

A vida é cheia de coincidências, muitas coisas não são o que parecem, as pessoas são muito influenciáveis, a verdade é menos atraente do que nossa imaginação e nem tudo tem uma resposta.

Perfeito, de fato, de acordo com tudo isso.

Mas acho um problema grave usar dessa argumentação para não revelar a causa de um acontecimento importante da história que induz o leitor a tirar conclusões ou descartar hipóteses que o levariam ao desfecho do caso ou no mínimo contribuiriam.

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E aí gente! Hoje vou deixar aqui uma breve resenha de cada um desses dois livros, dois thrillers incríveis, dos quais se tornaram fav do gênero (pelo menos pra mim haha). . . 📖 "O homem de Giz" de C.J. Tudor, com 272 páginas. 🕸️ . . Se você curte Stranger Things e It a coisa, vai gostar dessa leitura. Porque a história desse livro é bem semelhante a essas duas obras. Em 1986 um grupo de amigos (crianças), Gav, Hoppo, Mickey, Nicky e Eddie, que é quem narra a história. Eles estavam sempre em busca de aventuras juntos, e até criaram um código secreto entre eles: desenhar homenzinhos de giz rabiscados no chão. Até que um dia esses desenhos começaram a aparecer misteriosamente, os levando até o bosque, onde eles acharam um corpo mutilado. Trinta anos depois disso, Eddie ainda não superou o passado, continua lutando para superar, quando de repente ele e seus amigos recebem uma carta, com um homem de Giz enforcado, e é quando o mistério começa. . . 📖 "O que aconteceu com Anne" de C.J Tudor, com 288 páginas.🕷️ . . A história é narrada por Joe Thorne, que quando era adolescente perdeu a irmã, ela ficou desaparecida durante dois dias, mas após esse período, ela voltou, porém já não era mais a mesma garotinha meiga e doce de sempre, Annie voltou muito sombria, ficar perto dela já não era mais bom, era aterrorizante. Vinte cinco anos depois, Joe recebe um e-mail anônimo, dizendo "Eu sei o que aconteceu com sua irmã. Está acontecendo de novo." E após receber este e-mail Joe retorna a Arnhill, sua cidade natal, para poder finalmente descobrir o mistério por trás disso, e encerra-lo. Pois Joe carrega com si até hoje dores do passado, mas será que ele vai conseguir resolver esse mistério? . . Esses são os dois primeiros livros da @cjtudorauthor, e amei bastante cada um. Há sim pessoas que não curtiram as leituras, mas euuu estou ansiosa para os próximos. 🖤 . . #ohomemdegiz #oqueaconteceucomannie #thrillerbooks #thriller #cjtudor #livrosdesuspense #livrosecafe #literaturaestrangeira #biblioteca #bibliotecaemcasa #leiamais #leiamulheres #leiaemcasa #livrosecitações

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É como se jogasse uma armadilha para confundir o raciocínio do leitor e ela se revela exatamente isso, uma armadilha, um peixe fora d’água dentro do enredo, uma trilha mágica, sem origem aparente, que desvia do caminho natural.

Por isso o final frustrante.

Quando o final se revela o caminho mais óbvio, terreno, e não responde todas as pontas soltas, principalmente a que mereceu espaço considerável dentro da narrativa e que turvou a linha de raciocínio, a sensação é de: “fui traído”, “Isso não vale”.

Fica parecendo, mesmo não sendo a realidade, acredito, de ter se tratado de um artifício, de uma solução as pressas, uma correção de rumo para justificar o final proposto.

Entendo que se a intenção é retratar um universo verossímil mostrando, para tal fim, aspectos verificáveis no mundo que é familiar a todos, como de ser um lugar repleto de segredos e mistérios, muitos deles sem jamais se vir a conhecer resposta, o mais adequado, o menos frustrante, nesse caso, seria dedicar essa ponta solta há algo menor dentro do enredo. Um pequeno detalhe que chame a atenção, mas que não seja relevante (ou tão relevante) para o andamento da história, para a conclusão da história.

Do contrário, se cria uma grande expectativa fadada a ser frustrante.

Conclusão sobre O Homem de Giz

Apesar dos problemas, principalmente no final, os pontos positivos contrabalançaram bem. É uma história com personagens cativantes, cenas de horror bem escritas, ambientação e clima de mistério muito bem construídos.

A conclusão que chego é que um bom livro, regular, poderia ser melhor.

Como primeiro romance, foi um bom cartão de visitas, eu fico inclinado a ler mais trabalhos da autora e não me surpreenderia se nos próximos anos ela escrever uma obra do quilate de um “O Iluminado”, ou algo do gênero, porque vi vários pontos positivos em sua escrita, sem dúvida é talentosa.

Meu jabá

Lennon-Catástrofe-no-coração-da-república

Está disponível na Amazon, gratuitamente pelo Kindle Unlimited, meu livro “Catástrofe no Coração da República (das bananas)”. Um suspense político com muita chuva, asfalto, moto e… bomba!

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